Conforme o que eu disse no post anterior, eu acho que concordo com a hipótese geral do geohot. Mas eu acho que entender a motivação por trás desse tipo de comportamento é mais complexo do que simplesmente apontar o dedo para os "improdutivos".

Olhando o que está mais perto da minha realidade: não só já convivi com "improdutivos" da classe menor como já fui um improdutivo de 20 anos da classe menor. E eu me sentia horrível por isso. Acidentalmente deixei minha saúde mental ditar como seria a minha vida mas consegui me recuperar. Mas conheço pessoas que não se recuperaram. Pra fins de preguiça, referirei a elas como INPRs (Improdutivos Não Recuperados). Não atribuo necessariamente à malicia essa classe de improdutivos porque é tão aleatório que você pode estar fadado à uma tragédia na sua vida hoje e você se tornar um INPR amanhã.

Já a outra classe de improdutivos, os que eu vou chamar de "improdutivos de classe alta", são os que eu acho que o geohot está falando de verdade. São pessoas que nascem em berços de ouro, com todos os privilégios e oportunidades que o dinheiro pode comprar. E mesmo assim, eles não conseguem produzir nada de valor, sendo parasitas que vivem às custas do trabalho dos outros. E o pior de tudo é que eles não se sentem mal por isso. Pelo contrário, eles se sentem superiores aos outros. Eles acham que merecem tudo o que têm porque nasceram em berços de ouro. Eles topam destruir a ordem de uma nação para o benefício próprio. Sim, você sabe de quem eu estou falando.

Mas também existem os improdutivos de classe alta que são só... satisfeitos? Eles preferem surfar na onda do que realmente produzir algo de valor. E eu acho hipócrita falar que eles também são o problema, visto que eles são o imperativo categórico de um sistema que valoriza mais o capital do que o mérito. Todo mundo sonha com o "emprego de setor público" aonde não pode ser mandado embora ou a "herança inesperada" que abruptamente não só resolve todos os seus problemas financeiros mas te permite "existir" sem precisar produzir.

Então... será mesmo que são os "improdutivos" que agem como ancora no desenvolvimento de sociedades saudáveis e igualitárias? Ou será que é a má distribuição de poder e recursos que cria os verdadeiros "improdutivos"? Será que por "improdutivos", estamos querendo dizer os "sociopatas", que sabem que não são produtivos mas não se importam?

Não sei. Mas é algo pra se pensar.